Minhas leituras de 2016

Pra variar, estou sumida aqui do blog, mas pelo menos uma retrospectiva dos livros lidos em 2016 vai rolar. Vou assinalar com estrelinhas o quanto gostei de cada livro, o que não está necessariamente atrelado à sua qualidade literária.

01 – Caçando Carneiros – Haruki Murakami (**)
02 – Quarto – Emma Donoghue (**)
03 – Traz teu amor pra mim e outros contos – Charles Bukowski (*)
04 – Deixe ela entrar – John Ajvide Lindqvist (*)
05 – Americanah – Chimamanda Ngozi Adichie (***)
06 – Não sou uma dessas – Lena Dunham (**)
07 – Orange is the new black – Piper Kerman (**)
08 – Translações – literaturas em trânsito – vários autores (**)
09 – Sally e a sombra do norte – Phillip Pullman (**)
10 – O pintassilgo – Donna Tartt (**)
11 – O circo da noite – Erin Morgenstern (*)
12 – O homem do castelo alto – Phillip K. Dick (***)
13 – A partitura do adeus – Pascal Mercier (**)
14 – O conto da aia – Margaret Atwood (***)
15 – Bestiário – Julio Cortázar (***)
16 – Presos que menstruam – Nana Queiroz (**)
17 – Diga aos lobos que estou em casa – Carol Rifka Brunt (**)
18 – O papel de parede amarelo – Charlotte Perkins Gilman (***)
19 – O chamado de Chtulhu e outros contos – H. P. Lovecraft (**)
20 – Pequena abelha – Chris Cleave (**)
21 – 1Q84 – parte 1 – Haruki Murakami (***)
22 – 1Q84 – parte 2 – Haruki Murakami (***)
23 – 1Q84 – parte 3 – Haruki Murakami (**)
24 – Quem sabe um dia – Lauren Graham (**)
25 – Pássaros na boca – Samanta Schweblin (**)
26 – Passarinha – Kathryn Erskine (**)
27 – Genesis – Bernard Beckett (**)
28 – Olhe para mim – Jennifer Egan (***)
29 – Um útero é do tamanho de um punho – Angélica Freitas (**)
30 – A biblioteca mágica de Bibbi Bokken – Jostein Gaarder (**)
31 – Meus desacontecimentos – Eliane Brum (**)
32 – A amiga genial – Elena Ferrante (**)
33 – História do novo sobrenome – Elena Ferrante (**)
34 – Alerta de risco – Neil Gaiman (***)
35 – Wilson – Daniel Clowes (***)
36 – A menina submersa – Caitlín R. Kiernan (*)
37 – Garota exemplar – Gillian Flynn (***)
38 – Sombra e ossos – Leigh Bardugo (**)
39 – Sol e tormenta – Leigh Bargudo (**)
40 – Ruína e ascensão – Leigh Bardugo (**)
41 – A vida dos elfos – Muriel Barbery (**)
42 – Menina má – William March (**)
43 – Temporada de acidentes – Moïra Fowley-Doyle (**)
44 – Travessuras da menina má – Mario Vargas Llosa (**)
45 – A garota perfeita – Mary Kubica (**)
46 – Um chapéu cheio de céu – Terry Pratchett (***)
47 – A menina mais fria de Coldtown – Holly Black (**)
48 – O ano do dilúvio – Margaret Atwood (***)

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Último lido e um dos queridinhos do ano

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Minhas últimas leituras

Andei meio sumida porque estava estudando pra concurso (que foi suspenso, haha), então acumularam as leituras de fevereiro e março. Até que consegui manter um ritmo nos últimos meses, e aqui está o que andei lendo:

americanahAmericanah – Chimamanda Ngozi Adichie

Já fazia tempo que eu queria ler Americanah, e agora ele entrou naquele rol de livros pra sair recomendando para todo mundo. A história é centrada em Ifemelu, uma nigeriana que foi estudar nos Estados Unidos, e muitos anos depois decidiu voltar a seu país natal. No decorrer da história, vamos sabendo sobre o passado de Ifemelu na Nigéria, e tudo que aconteceu na sua vida nos EUA, onde passou a escrever um blog mostrando sua visão de estrangeira, mulher e negra. O livro acompanha ainda um pouco a história de Obinze, primeiro amor de Ifemelu e que também teve suas desventuras enquanto estrangeiro, mas na Inglaterra.
Adorei Americanah porque me fez refletir uma série de questões a respeito de racismo. Não posso dizer que sou uma pessoa totalmente livre de preconceitos (como acredito que ninguém seja), mas me vigio para melhorar dia a dia, inclusive com atitudes preconceituosas que às vezes nem percebemos.
Por mais que o convívio com amigas negras e a leitura de autoras negras me faça pensar nessas questões, sei que nunca vou saber realmente como é o preconceito que elas vivem na pele. Afinal, por exemplo, é fácil para mim, que tenho o cabelo grosso e liso, falar que minhas amigas negras deveriam “assumir os cachos”. Eu nunca precisei pensar, antes de uma entrevista de emprego, se eu não deveria alisar o cabelo para passar uma imagem mais “profissional”. Isso pode parecer pequeno, pode parecer só um detalhe, mas é uma de muitas questões que às vezes não paramos para refletir a respeito do racismo, e que estão no meio da história de Americanah.
Resumindo: Leiam e recomendem para outras pessoas lerem, por favor.

translacoesTranslações: Literatura em Trânsito

Em janeiro, participei de uma série de aulas abertas da Escola de Leitura, aqui em Curitiba, e numa delas ganhamos o livro Translações: Literatura em Trânsito. O projeto traz um livro com produção de vários artistas paranaenses (traduzido em mais três idiomas), e também um site com arquivos de áudio, vídeo e texto.
Confesso que mesmo sabendo de toda essa proposta, acabei lendo apenas o livro, sem interagir com o site. Li, inclusive, dentro do ônibus, durante alguns trajetos que precisei realizar.
Mas acho a proposta interessante, e talvez depois eu vá dar uma olhada com calma no site e usufruir essa mescla de diferentes mídias.

nao-sou-uma-dessasNão sou uma dessas – Lena Dunham

Eu tenho uma relação de amor e ódio com a Lena Dunham, ou melhor, com a obra dela. Eu gosto de Girls, principalmente da primeira temporada, mas tem horas que acho tudo muito chato, ou fico com raiva. Foi assim que me senti ao ler Não sou uma dessas.
Alguns dos textos são incríveis e maravilhosos, como o que ela fala sobre a naturalidade com que encara a própria nudez, e conta sobre como é filmar esse tipo de cena para o seriado. Outros textos, muitos deles sobre relacionamentos, me deixam chocada com algumas situações que enfrentou, e pela forma como reagiu.
Mas talvez eu devesse aprender a julgar um pouco menos os outros, já que minha experiência de vida é bem diferente, e aquilo que me parece absurdo pode ser normal em outro contexto.

orange-is-the-new-blackOrange is the new black – Piper Kerman

Enquanto aguardo ansiosamente pela nova temporada da série, aproveitei para ler o livro e, claro, detectar várias diferenças. Começando pela mais gritante: a Piper real parece ser uma pessoa legal, que enxergou muitas coisas sobre outras realidades ao passar um tempo no prisão, e é alguém com quem eu gostaria de conversar. A Piper da série eu odeio! Mas faz parte das adaptações, várias situações relatadas no livro foram levadas para a série de forma superlativa.
O que mais gostei da obra é que a autora faz várias reflexões sobre o funcionamento do sistema penal americano, que tem um monte de falhas, o que não deve ser muito diferente do brasileiro. Por exemplo, quando as detentas estão prestes a saírem da prisão, passam por uma série de palestras para “ajudá-las” a retornar ao lado de fora, que no fim não servem para nada em questões práticas. Quando se vai falar sobre moradia, explica-se sobre tipos de telhados e são dadas até algumas dicas de decoração, mas não há orientações sobre onde encontrar imóveis mais baratos para alugar, ou como conseguir auxílio para resolver as questões burocráticas.
Como se faz essa reinserção na sociedade? A Piper teve sorte de ter uma família, um noivo e um grupo de amigos pronto para ajudá-la, mas a realidade da maioria das ex-presidiárias não é essa.

sally-sombra-norteSally e a Sombra do Norte – Phillip Pullman

Faz muito tempo que li Sally e a Maldição do Rubi, o primeiro da série de aventuras da Sally Lockhart. Felizmente deu para ler o segundo volume sem problemas de me perder nas referências. O livro é estilo policial / suspense e se passa na Inglaterra no final do século XIX, então tem várias contextualizações históricas interessantes.
Como alguns dos personagens são fotógrafos, são feitas referências ao desenvolvimento da fotografia na época, o que me fascina. E Sally é uma feminista. Tem sua própria empresa de consultoria financeira, mas sofre com os machismos da época: pode fazer um curso de ensino superior, mas sem direto a diploma; recebe olhares estranhos ao viajar sozinha; vira alvo de fofocas por receber homens em seu escritório; dentre outras coisas.
Mas isso não a impede de investigar uma grande companhia, responsável por uma perda financeira de uma de suas clientes, que vai se desdobrando numa história cada vez mais complexa. Gosto do estilo de narrativa do Phillip Pullman, e esse foi um livro que deu pra ler bem rapidinho.

Minhas leituras de janeiro

Eu ando bem sumida do blog, mas quero ver se consigo voltar a escrever pelo menos umas vez por mês, apresentando os últimos livros que li. Esses foram os iniciados e terminados em janeiro:

Capa_Cacando carneiros.inddCaçando Carneiros – Haruki Muramaki

Murakami é um autor que acho que todos os livros são meio estranhos, e gosto mesmo assim. Já li Após o Anoitecer; Kafka à beira-mar (ainda meu favorito); Minha querida Sputnik; e agora o Caçando Carneiros. Não sabemos o nome do personagem principal, que trabalha numa agência de publicidade e se vê envolto numa trama em que precisa percorrer o país em busca de um carneiro com uma marca de estrela nas costas. Mas eu não sinto a história transcorrer como se fosse uma aventura policial, e sim uma sucessão de situações improváveis, com muitos personagens solitários cercados por acontecimentos fantásticos.

QuartoQuarto – Emma Donoghue

Quarto conta a história de uma mulher que foi sequestrada e vive presa em um quarto, junto a seu filho, Jack, que nasceu lá e não conhece o mundo exterior. O livro é escrito sob o ponto de vista do menino, que acabou de fazer cinco anos, o que por um lado é interessante, e por outro me levava a ficar extremamente cansada da forma da narrativa em determinados momentos, porque o discurso se tornava meio repetitivo. O que mais gostei foi que imaginava que o livro terminaria quando os dois conseguissem escapar do cativeiro, mas ele foi além, mostrando o quão difícil a adaptação para viver fora do quarto podia se tornar.

traz-teu-amor-pra-mimTraz teu amor pra mim e outros contos – Charles Bukowski e Robert Crumb

Esse é um livro bem curto, com três contos de Charles Bukowski – Traz teu amor pra mim; Não tem negócio e Bop Bop contra aquela cortina – que foram ilustrados por Robert Crumb, publicados originalmente na década de 1980. Não posso dizer que Bukowski seja um dos meus autores favoritos, mas o livro estava lá, disponível para ser lido bem rapidinho. Os contos são aquilo que já estamos acostumados a ler do autor. Meu marido morreu de rir com alguns trechos, mas por algum motivo eu não consigo achar tanta graça assim.

deixa-ela-entrarDeixa ela entrar – John Ajvide Lindqvist

Eu não vi o filme que foi baseado no livro, mas consigo imaginar bem uma adaptação para o cinema. Gosto de livros que tenham uma pitada de terror e, embora Deixa ela entrar não seja exatamente assustador, é uma história de vampiro bem decente. O personagem principal é Oskar, um menino de 12 anos, gordinho, com incontinência e que sofre bullying (obviamente). Ele sonha em se vingar de seus colegas do escola, e adora colecionar recortes de jornal sobre serial killers. Sua vizinhança passa a ser alvo de assassinatos misteriosos, na mesma época em que ele conhece Eli, uma garota estranha que se muda para o apartamento ao lado do seu. O desenrolar da história é um pouco previsível, mas explora bem esse período confuso da vida de todos, da saída da infância e início do amadurecimento.

Minhas leituras de abril

Em março eu finalmente li “Frenesi Polissilábico”, do Nick Hornby, o que me inspirou para tentar escrever sobre minhas experiências literárias seguindo mais ou menos aquele estilo. A Tássia já escreveu nessa pegada aqui no blog, então eu resolvi me aventurar. Só que março passou e eu não escrevi nada, então resolvi fazer um apanhado do que li em abril, que foi um mês em que li excepcionalmente bastante.

Comecei abril terminando de ler “Sobre a Beleza”, que eu havia iniciado em março. Eu já tinha lido “O Colecionador de Autógrafos”, da Zadie Smith, e não gostei muito, mas resolvi dar mais uma chance à ela. Conclusão: acho que não vou ficar muito fã da autora mesmo. Não me empolguei muito com “Sobre a Beleza”, e senti o mesmo tipo de problema que já havia detectado antes: não consigo ter empatia por nenhum dos personagens. A única coisa que me chamou a atenção foram algumas discussões levantadas a respeito de assuntos que me interessam, como meritocracia e alguns conceitos de arte.

Na sequência, li “Palestina”, de Joe Sacco. Não havia lido nada ainda dele, e por sorte tem uma porção de livros em casa, que devo desbravar nos próximos meses. Durante a leitura fiquei pensando sobre a minha escolha de ser jornalista, carreira que, no momento, decidi deixar para trás, e em como eu nunca teria coragem de fazer esse tipo de jornalismo do Joe Sacco, de estar lá no meio do conflito, arriscando-se para conseguir boas histórias. Mesmo que em alguns momentos ele chegue a dizer que é covarde, acho tudo muito mais corajoso do que eu jamais conseguiria.

Peguei então “Cosmopolis”, do Don Delilo, para ler. Não sei se é o por ter o Robert Pattinson na capa, ou de meu marido ter falado que não tinha gostado muito, mas o fato é que eu também não consegui curtir. Embora eu ache que uma parcela de culpa tenha a ver com um fato que já apontei antes: não consegui gostar dos personagens do livro. O protagonista é um chato que quer cortar o cabelo e precisa atravessar a cidade para isso, dentro de sua limousine, enquanto tudo está um caos por causa de uma visita do presidente. As cenas que vão acontecendo no decorrer da história são um tanto absurdas, mas não despertaram meu interesse, infelizmente.

Depois, li um livro que foi minha compra mais recente. “Battle Royale”, do Koushun Takami, que acabei comprando porque estava na livraria um dia, e ele estava com 50% de desconto. Eu já li o mangá há algum tempo, que considero uma das coisas mais impressionantes e perturbadoras que já vi. A história: Durante o que eles consideravam ser uma excursão escolar, 42 estudantes vão participar de um programa do governo japonês que consiste em se matarem uns aos outros, até que reste apenas um vivo. Cada um recebe um kit de sobrevivência com uma arma aleatória, que pode ser desde um garfo até uma metralhadora. O livro tem mais de 600 páginas, mas li rapidinho. Só não sei se vale muito a pena a leitura para quem já leu o mangá. Além de a adaptação ser bem fiel, no mangá o passado de alguns personagens é mais bem desenvolvido do que no livro. Mas pra quem gosta de distopias, é uma boa pedida.

Então fui à biblioteca e escolhi livros de autores que não conhecia ainda. Nessa pegada, li “As avós”, da Doris Lessing, e “Menino de Lugar Nenhum”, do David Mitchell. “As avós” é curtinho e parece ser uma história banal sobre a relação de duas grandes amigas e seus filhos, mas tem alguns desdobramentos interessantes. “Menino de Lugar Nenhum” é uma daquelas histórias típicas da adolescência, do garoto que não é totalmente um perdedor, mas também não é popular, e está buscando se afirmar de alguma forma. Gostei dos dois livros, mas sem morrer de amores.

Acabei lendo mais uma história em quadrinhos, “Como uma Luva de Veludo Moldada em Ferro”, do Daniel Clowes, que também entra na categoria de coisas perturbadoras. Só que eu não consegui entender direito a história (provavelmente vou ter que reler), apenas achei tudo muito, muito bizarro.

Em mais uma ida à biblioteca, peguei “O Verão e a Cidade”, da Candace Bushnell. Às vezes eu gosto de ler algo mais despretensioso, só pra passar o tempo, e a continuação de “Os Diários de Carrie” me pareceu perfeita pra isso. Além de Samantha, este livro introduz Miranda, e a Charlotte aparece no finalzinho. É tudo meio bobo, eu fico com raiva da Carrie várias vezes, mas li super rápido. O maior problema, pra mim, é que você sabe que nenhum relacionamento de nenhuma das personagens vai dar certo, senão elas não seriam quem são em “Sex and the City”.

E pra encerrar, terminei o mês lendo “As Filhas sem Nome”, da Xinran. Adorei, não tanto pela história, mas por poder mergulhar um pouco na realidade cultural da China. O livro se passa no início dos anos 2000, e conta a história de três irmãs que saem da zona rural e vão conseguir empregos e melhores oportunidades de vida na cidade. Como o pai queria ter tido filhos homens e não teve, ele não se preocupou em dar nomes para as meninas, chamando-as pela ordem em que nasceram. Assim, acompanhamos a vida das irmãs Três, Cinco e Seis. O interessante é que Xinran se baseou nas histórias de três mulheres que ela realmente conheceu (mas que não eram irmãs), e a autora busca exaltar essas mulheres batalhadoras que são tão menosprezadas pela sociedade e pela própria família. Esse tipo de história sempre me emociona, então com certeza vou ler outras coisas de Xinran.

Provavelmente, o livro favorito do mês

Provavelmente, o livro favorito do mês

5 autoras que eu recomendo

Era pra eu ter subido esse post ontem, mas acabei viajando e só pude escrever hoje. Na verdade, eu já tinha essa ideia na cabeça devido a conversas que tive com pessoas que chegaram à conclusão que nunca leram um livro de uma autora, ou leram pouquíssimos. Já eu percebi que li muitas mulheres em minha vida, mesmo antes de atentar para esta questão.

Então resolvi fazer uma lista com 5 autoras que eu recomendo, para ver se dou uma mãozinha a esse pessoal que nunca leu livros de uma mulher. Estas não são necessariamente as autoras que eu mais gosto, nem as que considero melhores, mas tentei compor uma lista variada que possa atender a diferentes gostos. (E nada impede de eu fazer uma parte II, parte III desta lista no futuro)

contosMarina Colasanti

Começando com uma brasileira que eu gosto muito. Marina escreve com primor contos, alguns deles tão curtos que nem ocupam uma página. Há um bocado de absurdo, realismo fantástico e fantasia na sua escrita, e algumas histórias têm um ar de fábula, mas com um toque contemporâneo. Dela já li “Um Espinho de Marfim e Outras Histórias”, “Contos de Amor Rasgados”, que recomendo bastante, e “Por falar em amor” que achei chatinho, e já expliquei por aqui o motivo.

Se quiser saber mais, visite o site da autora. Tem um blog bem atualizado!

o-mundo-pós-aniversárioLionel Shriver

Eu me apaixonei pela Lionel Shriver quando estive na FLIP em 2010 e assisti à sua palestra. Eu ainda não havia lido nada da autora, mas ela me conquistou com seu jeito sincero, com suas respostas bem humoradas e com a forma como ela falava de seu mais recente lançamento (na época), “O Mundo Pós-Aniversário”. Pouco depois do evento, eu comprei o livro, que mostra dois futuros distintos para a protagonista, dependendo de uma decisão que ela faz, e achei a forma da narrativa bem interessante. Dela, também já li “Tempo é Dinheiro”, mas ainda não li sua obra mais famosa, “Precisamos Falar Sobre o Kevin”.

dragaoCressida Cowell

Eu adoro ler literatura infanto-juvenil, e a série de Cressida Cowell é um prato cheio para mim. A autora é responsável pelo livros “Como Treinar o Seu Dragão”, mas a obra é bem diferente do filme da Dreamworks. O Soluço consegue sim salvar o dia, mas a cada novo livro ele volta à condição de fracassado, e o Banguela é bem menos companheiro e bem mais genioso. Os livros são bem despretensiosos e pra ler de uma vez só, mas eu dou muita risada das piadas politicamente incorretas.

A autora tem um site bem atualizado também.

persepolisMarjane Satrapi

Foi por meio da iraniana Marjane Satrapi que eu conheci um pouco mais a respeito do país e da cultura. Ela é autora da autobiográfica graphic novel “Persépolis”, que infelizmente é o único livro que li dela, mesmo tendo mais obras traduzidas para o português. O interessante de “Persépolis” é justamente poder acompanhar as mudanças no Irã desde a infância até a vida adulta de Marjane. Uma versão em animação também foi lançada, em 2007, e outro livro seu, “Frango com Ameixas” foi parar nos cinemas, desta vez em live-action, em 2011. Ambos dirigidos pela própria autora.

a-parte-mais-tenraRuth Reichl

Se você gosta de comida e de leitura, pode ser que se divirta com os livros da Ruth Reichl. Pelo menos foi isso que aconteceu comigo. A autora já foi crítica de restaurantes de importantes publicações, e sempre teve uma relação próxima com a comida. Li três de seus livros, todos de memórias: “A Parte Mais Tenra”, que retrata suas lembranças desde a infância; “Conforte-me com maçãs”, que mostra o momento em que ela decide deixar o trabalho de cozinheira para se tornar crítica de gastronomia; e “Alho e Safiras”, sobre a época em que era crítica do New York Times, e precisava criar disfarces para não ser reconhecida nos restaurantes em que visitava. Ah, todos os livros vêm acompanhados de algumas receitas da autora.

Em seu site, tem informações sobre os livros e algumas receitas.

O Círculo – Dave Eggers

circuloQuando eu ouvi falar de “O Círculo”, não tinha como não fazer uma associação com “1984”. Afinal, no livro de George Orwell temos um governo que detém o controle de toda a informação, enquanto aqui temos uma empresa privada com este tipo de poder. Mas não esperem o brilhantismo de “1984” em “O Círculo”.

Na história, acompanhamos Mae Holland, uma jovem que está animadíssima em começar a trabalhar no Círculo, a maior (e supostamente mais legal) empresa do mundo. A grande sacada do Círculo foi ter criado o TruYou, que unificou todos os dados online num só lugar. Uma pessoa, uma identidade virtual. Ou seja, nada de fakes.

A partir daí acompanhamos a rotina de Mae na empresa e sua rápida ascensão, de forma que ficamos sabendo dos novos projetos e da influência que uma empresa privada tem em questões políticas. Vão surgindo novos desdobramentos, como a criação de microcâmeras que podem ser instaladas em qualquer lugar, chips para rastreamento de crianças e muito mais.

A protagonista é boba, ingênua e se deixa convencer de pensamentos absurdos com relativa facilidade. Mas não é muito diferente de muita gente que você possa conhecer, e a situação toda descrita no livro poderia se passar num futuro próximo – bem próximo, aliás.

Apesar de eu achar interessante que tenha surgido uma obra fazendo uma crítica ao rumo que a sociedade está tomando, tem alguns pontos fracos que não dá para deixar de apontar. Os diálogos são terríveis, incomodam a minha leitura, e se tornam ainda piores quando entram em cena personagens que discordam da opinião vigente.

Além disso há algumas questões que são explicadas demais. Parece quase que o autor está subestimando a nossa inteligência. Há toda uma cena envolvendo um tubarão que já achei que a analogia estava clara e exagerada. Daí algumas páginas depois um personagem explica essa analogia. Não precisava.

Mas dá pra enxergar um bom reflexo do que nossa sociedade se tornou/está se tornando. E ficam algumas questões pra pensar:

Vale a pena abrir mão da sua privacidade por uma suposta segurança?

Precisamos mesmo saber tudo a respeito de todos os assuntos, o tempo todo?

Peanuts Completo: 1961-1962 – Charles M. Schulz

PeanutsCompletoV6Como não amar “Peanuts”? Que eu me lembre, sempre gostei das histórias da turma do Charlie Brown, lia as tirinhas e assistia ao desenho em VHS.

No Natal, ganhei dois volumes de “Peanuts Completo” que eu não tinha ainda, e comecei a leitura por este, meio fora da ordem cronológica (o outro volume que ganhei é anterior).

As histórias são um pouco de tudo aquilo que a gente está acostumado: o sofrimento do Linus quando fica sem seu cobertor, a barraquinha de ajuda psiquiátrica da Lucy e o Charlie Brown sendo… Charlie Brown.

faronHá também o aparecimento de alguns novos elementos e personagens interessantes. O Snoopy já recebe a visita de vários passarinhos em sua casa (mas ainda não há a figura do Woodstock), conhecemos a Frieda, super orgulhosa de seus cachinhos naturais, e que surge com um gato, o Faron, que parece ser bem preguiçoso (mas eu achei fofinho).

Além disso tudo, eu fui tocada pela introdução deste volume, escrita por Diana Krall. Ela faz referência a um especial do Dia das Bruxas (que não tem nenhuma relação com as tirinhas do livro) que eu também me recordo vivamente: em cada casa que as crianças visitam, elas saem falando dos doces que ganharam, e Charlie Brown vem com a frase “Eu ganhei uma pedra”.

Afinal, como ela mesma diz, às vezes, na vida, tudo o que a gente ganha é uma pedra. Mas ainda bem que existem estas tirinhas que nos ajudam a refletir sobre isso, e até mesmo nos fazer rir das pedras da vida.